19 setembro 2008

PIODÃO - FOLGOSINHO


Piodão
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Folgosinho



-----Hoje, o passeio passava por percorrer a rota das Aldeias Históricas, entre as localidades de Piodão e Linhares, num total de 78,59 km.
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-----Travessia dos vales profundos das encostas xistosas da Serra do Açor, subindo à Serra da Estrela, até aos 1600 m de altitude, seguindo pelas lagoas Comprida e do Rossim.
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-----Ao longo da travessia o caminho varia nos tipos de piso, no entanto pode-se dividir em dois troços distintos: o primeiro, mais ou menos até Portela do Arão, corresponde a território xistoso; o segundo, daí em diante, é uma área granítica, com muita erosão, típica das zonas elevadas do maciço central.
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-----Assim, pelas 07h00, saímos de Vila Nova de Gaia, com destino ao Piodão (encosta de lousa), que apenas eu conhecia, na expectativa de percorrer o GR22, uma rota muito conhecida nos meandros do btt e conhecer novas localidades, mas para quem conhece bem esta região, com vales profundos e com desníveis acentuados, entre a Serra do Açor, da Lousã e da Estrela, fazia deste passeio um percurso excelente para a pratica de btt.



-----Chegamos ao Piodão as 10h00 e depois de desmontar as bikes do carro, preparar o equipamento, das fotos da praxe, desta vez acrescentou-se compra de umas lembranças.
pelas 10h40, de-mos inicio ao passeio, no Largo Cónego Manuel Fernandes Nogueira, onde se encontra a igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (construída no século XVII), enquanto o Mendes e o Zé, foram pregar para outra freguesia.










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Estes quilómetros iniciais decidi não seguir pelo trilho acima descrito e tomar a direcção
as aldeias mais próximas, Chás de Éguas, Eira de Booha, Outeiro dos Bardos, mas particularmente Foz de Égua.
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Assim, começamos logo a subir em estrada de asfalto, em ziguezague, para aquecer bem os músculos.
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Chegados a referida aldeia, foi mais uma paragem demorada para tirar fotos junto de umas pontes, num local muito interessante.
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.-----Para sair daquele local ainda tivemos de carregar as bikes, pelas escadas acima, entre as casas.


-----Dali seguimos até Vide, onde aos 15km, começavam as dificuldades, subir até aos 1600m na Serra da Estrela, com inicio em estradão de terra batida largo e sem grandes irregularidades no terreno, a excepção de um pequeno troço, em que a acentuada inclinação e os sulcos profundos feitos pela acção da água não permitiam pedalar, pelo que a solução é sempre desmontar. Este trilho acabou no asfalto que nos levou até ao desvio para a barragem Comprida, na altitude mencionada..


-----Nesta altura as dificuldades nem eram causadas pela subida, mas sim pelo facto de terem acabado os líquidos e o sol não ajudava nada.
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-----Felizmente encontramos uma fonte de água fresquinha, pelos 32km e com duas garrafas de vinho de brinde. Quer dizer, se o pastor não estivesse atento e não viesse logo controlar a pinga.

-----Quando acabou a subida, seguimos em direcção a barragem comprida (EN 339) onde finalmente aproveitamos para comer algo, tendo o cromo aproveitado para nos chular, vendendo meia sande como se fosse uma inteira.
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Segui-se uma ligeira descida, pela referida estrada nacional que desce até Seia, que veio bem a calhar, para sair à direita e entrar num estradão largo e sem inclinação ao longo da conduta de agua em direcção à barragem do Lagoacho, mas antes ainda tivemos de andar embrulhados no meio da vegetação, para seguir em frente.
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-----Da barragem em diante, graças a algum iluminado, que lembrou-se de colocar pequenas pedras tipo gravilha pelo caminho, tornou este trajecto difícil, especialmente para a bicla do Marito (rígida). Depois da barragem do Rossim acabaram-se as pedras.
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Embora a inclinação das subidas já não fossem de 11% ou 14%, como a caminho da torre, continuávamos a subir e sempre a dar-lhe.
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Por volta das 18h00, tudo se complicou com a chegada da chuva, porque apesar dos impermeáveis, não íamos preparados para a chuva (nem as maquinas fotográficas).
. -----Depois de tanto subir, em direcção ao Alto da Santinha - S. Pedro, após o posto de vigia lá apareceu a descida(70km), que vinha mesmo a calhar, se não fosse a chuva, o frio conjugados com o facto de ter perdido as luvas neste passeio, que tornava a descida muito complicada.
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-----Uma descida comprida, muito irregular em estradão de terra batida, tipo florestal, com uma parte final com muito sulcos e regos profundos, que mesmo para a suspensão total foi uma rica coça, pelo que optei deixar embalar a machine para acabar mais depressa, pois já não aguentava as mais as mãos geladas. Resultado desta intensa trepidação foi ter perdido o gps, que saltou fora do suporte, só me tendo apercebido desse facto no final da descida.
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-----Confrontado com este perda, só me restou fazer a subida a pé durante algumas centenas de metros a procura do aparelho, que para agravar a situação juntou-se passagem naquele momento de duas carrinhas de trabalhadores florestais. A minha esperança de encontrar o gps intacto e antes de ficar escuro (19h00) eram poucas, por isso foi com uma enorme satisfação que o vi no chão, mesmo ao lado do rasto causado pelas rodas dos carros, intacto mas com uma avaria.
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-----Voltei a fazer a descida, desta vez a correr para me juntar aos meus companheiros de viagem que ficaram a minha espera, debaixo de chuva.
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-----Apesar de estarmos mesmo a centenas de metros de Folgosinho, decidimos por seguir para cidade de Gouveia (que segundo os trabalhadores florestais ficava a pouco mais de 8km) porque nesse local tínhamos a possibilidade de tomar banho e trocar de roupa.
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-----Os últimos quilómetros foram feitos em esforço, mas a um bom ritmo porque já estava noite e sem gps, estivemos quase a meter-nos por atalhos (ainda ia ser preciso chamar a protecção civil para nos resgatar no meio da serra), não fosse uma decisão acertada do Gigantones (para variar).
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-----Acabamos por chegar à Esquadra da PSP de Gouveia pelas 20h00, que nos cederam as instalações para o banho, que mesmo de agua fria (sinais da crise), foi excelente.
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-----Quando pensávamos que finalmente íamos poder comer alguma coisa de jeito, de preferência no famoso Albertino, que segundo dizem consegue conciliar na perfeição quantidade com qualidade, o pessoal do apoio tinha feito outros planos e necessitavam de regressar ao Porto mais cedo. Assim, tivemos que nos contentar com queijo da serra e sumo e uma paragem super rápida num café da cidade. Jantar só na cidade de Vila Nova de Gaia.
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-----Segundo consta o passeio terminou com 80km, cerca de 7h30 a pedalar e um acumulado de 2200 mt de subidas.

DISTÂNCIAS:

Porto - Piodão = 238 km
Lisboa - Piodão = 256 kmPiodão - Linhares = 78 km

---------------------» PIODÃO:
---As dificuldades e a agrura do terreno não limitaram a ocupação de um espaço hostil. As ruas são estreitas e pequenas, contornando os limites da serra e circundando a encosta. A aldeia apresenta uma distribuição em anfiteatro, pela encosta abaixo.
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---Aldeia construída apenas em xisto, não apenas nas casas, mas também nos telhados, nas ruas e nas construções públicas.
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---Contrastando com o xisto, os aros das portas e das janelas pintados as cores, especialmente o azul.
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---A maioria das casas tem dois pisos, destinando-se o inferior para loja, onde se guardavam os produtos agrícolas e a lenha. O piso superior destinava-se para habitação, cujas divisões eram divididas com madeira.
.---A inacessibilidade do local levou que se tornasse o refugio de foragidos à justiça, como foi o caso de Diogo Lopes Pacheco, um dos assassinos de Inês de Castro. .

---O maior medo dos habitantes era o das trovoadas, por isso para protegerem-se colocavam cruzes por cima das portas, marcando uma devoção a Santa Bárbara.
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---Na doçaria a tigelada à moda do Piodão, o pão-de-ló, as filhós e coscoréis, tornam esta aldeia um local mais apetecível. Pode ainda provar o mel e as aguardentes de mel e de medronho.
foto: Carta do Lazer aldeias históricas










3 comentários:

Anónimo disse...

mais um passeio espectacular...
uma crónica a retratar bem a jornada...
e a vontade de ficar bom depressa para poder realizar mais passeios destes.
Um abraço e até breve...
jorge almeida

Mário disse...

Um comentário.... inacreditável.
É o que dá estar em casa sem nada para fazer.
Este passeio está sem duvida no top 3 deste ano.
Mais um bom trabalho do Vitorkorov.

Nuno Lamas disse...

Vocês - Ecobike - são os maiores.
Depois de participar em algumas provas, para além da excelente organização, a camaradagem é do outro mundo.
A juntar aos pontos anteriores, estes passeios, com estes relatos... muito bom.
Parabéns.
Abraço