14 setembro 2008

ROTA DAS ALDEIAS HISTORICAS


-----Quando estava preparado para ir pedalar o dia todo para o Parque Natural de Montesinho, em Bragança, os meus amigos roeram a corda, com o argumento que a viagem era longa, logo muito cansativa para quem ia andar de bicicleta, pelo que propuseram como alternativa a Serra de Lousã, no distrito de Coimbra.
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-----Apesar de fazer parte dos meus planos pedalar naquela serra, com 1205 mt de altitude no ponto mais elevado (que já conheço), a ideia não me agradou. Por isso no sábado à noite arranjei maneira de os convencer a irmos até à Serra da Estrela, para fazer uma travessia entre Linhares da Beira e Marialva, pelos caminhos da Rota das Aldeias Históricas.
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-----Como os meus argumentos eram extensos, graças aos meus antigos roteiros do Inatel, referentes às Aldeias Históricas, um guia muito completo, denominado "CARTA DO LAZER DAS ALDEIAS HISTÓRICAS" (onde dormir, comer, percursos de btt, a pé e de carro, etc), que há uns anos atrás foi-me bastante útil na descoberta desses magníficos locais. Desta vez ia-os utilizar para um passeio de bicla.
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BREVE INTRODUÇÃO:
As dez aldeias históricas descritas na "CARTA DO LAZER", são:
Almeida;
Castelo Mendo;
Castelo Novo;
Castelo Rodrigo;
Idanha-a-Velha;
Linhares;
Marialva;
Monsanto;
Piodão;
Sortelha;
-----Pertencentes aos concelhos: Almeida, Arganil, Castelo Branco, Celorico da Beira, Covilhã, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Idanha-a-Nova, Meda, Pampilhosa da Serra, Penamacor, Pinhel, Sabugal, Seia e Trancoso.

-----Estas aldeias inserem-se na Serra da Estrela, Serra da Malcata e Serra do Açor, regiões muito ricas em património histórico, cultural e natural.
-----A extensão total da rota é de 540km, com dificuldade física alta, devido aos grandes desníveis das regiões montanhosas por onde passa.

LINHARES - MARIALVA


Castelo de Linhares


Castelo de Marialva

-----Com saída de Gondomar pelas 07h40, no meu pobre carro, habituado a pouco peso, teve de carregar 3 biclas, 3 burros e o seu proprietário até Linhares.
-----Duas horas depois chegamos ao destino, que apenas eu conhecia, para rapidamente nos dirigirmos ao único café da localidade, para um pequeno almoço, onde se encontrava a aldeia em peso, a fazer horas para a missa das 10h00.
-----Com o material preparado e após as fotos da praxe, lá seguimos destino, com um início muito prometedor, por uma descida em calçada romana, muito interessante.
-----O passeio na sua extensão decorreu quase sempre por estradão em terra batida, sem grandes dificuldades técnicas e físicas, com algumas ligações entre os trilhos por estradas secundárias.
-----Quando pensávamos que o passeio estava a correr dentro da media mínima pretendida, uma vez que o Pedro não está habituado a grandes maratonas, para chegar a Trancoso, pela hora de almoço, tendo para isso que fazer um pequeno desvio do trilho das aldeias históricas, eis que pelos 40km, surgiu a primeira dificuldade do dia, uma subida com poucos quilómetros, mas que fez mossa no Pedro.














-----Desta forma só por volta das 16h00 e com 53km nas pernas é que chegamos a Trancoso, onde já se encontrava o nosso motorista.
-----Após um reforço alimentar e algumas fotos voltamos ao passeio trinta minutos depois e já sem o Pedro.
-----Os primeiros quilómetros foram feitos em estrada, que seguia paralelamente ao trilho da rota das aldeias históricas, mas do outro lado da montanha e que não nos foi possível transpor apesar das tentativas.
-----Desta forma, permitiu que ficasse a conhecer as ruínas de um castelo, quando pensava que já os conhecia todos no nosso belo país, situado na vila Moreira do Rei.











-----No Rabaçal, ainda deu tempo para conversar com um pastor e com outros moradores, que se encontravam junto de um fontanário da vila a por a conversa em dia.

-----A seguir surgiu uma situação insólita, que serviu para ver as nossas qualidades ciclistas, ao passar junto de uma quinta, dois cães de grande envergadura, próprio da raça Serra da Estrela, fizeram-nos uma perseguição de centenas de metros, que mesmo num terreno plano, estiveram quase a saborear a perna de porco de rui, foi por um triz e graças a um sprint olímpico.
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-----Pelas 18h10, chegamos a localidade de Marialva, com 88km nas pernas e 5h50 de viagem, onde já se encontravam o Pedro e o Zé Brasa a nossa espera.
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-----Para não variar o final teve direito a brinde com cerveja, na única esplanada junto do castelo, que lhe faltava um utensílio muito útil para os seus clientes, um mata moscas.
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-----Antes de regressarmos, fizemos uma visita ao interior das muralhas do castelo, uma vez que os meus amigos não conheciam.

-----E foi assim que terminou mais um excelente dia entre amigos, a pedalar e a conhecer melhor o nosso País.

Distâncias:

Marialva - Porto = 226 km

Linhares - Porto = 160 km
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Marialva - Lisboa = 396 km

Linhares - Lisboa = 330 km
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INFORMAÇÃO HISTÓRICA

Aldeia histórica com um dos mais imponentes castelos da Beira Alta, situado no topo de um rochoso sobranceiro à 613 m de altitude.

A sua posição estratégica garantia no séc. XVIII o controle do vasto planalto.

As suas origens são longínquas, foi fundada por Túrdulos e depois alvo de invasões pelos Bárbaros, Árabes, Cristãos e Godos, sendo posteriormente romanizada.

Despovoada pelas lutas para expulsão dos Mouros, Marialva foi entre 1157 e 1169, mandada repovoar por D. Afonso Henriques, que lhe concedeu foral e a elevou a categoria de Vila, foral esse confirmado pelo rei D. Afonso II, em Novembro de 1217.

A construção da fortaleza em redor do castro remonta aos séc IV e V.

O castelo foi restaurado por D. Sancho I e em 1295 ampliado e reedificado por D. Dinis.

A classificação como Monumento Nacional inclui não só a Torre de Menagem, porta e vestígios existentes.





2 comentários:

Anónimo disse...

muito bonito. vê lá se publicas o tua dos mancos e do profissional. ass. manco leite.

vitokourov disse...

viva amigo, tinhas feito tu a crónica que estou certo que ficava mais engraçado e tempo também não te faltava.
para azar eu estive sem net a semana quase toda.
abraço e as melhoras