18 outubro 2007

3.º dia - PONTEVEDRA - SANTIAGO




74,90 km-09h47 (total)- 04h52 (tempo a pedalar)- média 15,45 km/h


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---O dia começou com alegria, já que as biclas estavam no local onde foram deixadas: em Espanha, os gatunos não gostam de bicicletas… Foi com satisfação que as encontramos, juntamente com alguns acessórios, como os conta-quilómetros, quando saímos pelas 08h30.

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Depois de um pequeno-almoço improvisado numa padaria, lá fomos procurar o caminho, que, por sinal, foi difícil de encontrar.


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Ao passar pelo centro da cidade, deu para ver que possuía um dos conjuntos históricos e artísticos mais belos da Galiza, destacando-se o Santuário da Virgem Peregrina (séc. XVIII) situado na praça “A Peregrina”, concebida pelo arquitecto Arturo Souto e José Mier em 1778 (a sua planta tem a forma de uma vieira).



---Junto dos monumentos, eram visíveis grupos de turistas estrangeiros em visitas guiadas. Aqui, encontrar as conchas revelou-se uma tarefa difícil, mas lá chegamos à Ponte de Burgo, sobre o Lérez, quando este se lança na Ria de Pontevedra, reencontrando o caminho.

---Depois de termos atravessado um percurso urbano, entramos numa zona de bosque e, pelas 10h25, paramos (20minutos) num mini-mercado propriedade de uma senhora simpática, onde alguns fizeram um reforço alimentar, isto porque outros tinham de gerir as barras energéticas, sais e afins, seguindo assim religiosamente o regime alimentar determinado pelo profissional Luís.













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---A estrada N-550 foi-nos acompanhando com mais frequência, já que o caminho acompanha aquela estrada.

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---Por esta altura o encontro com peregrinos torna-se frequente: por norma, seguem sozinhos ou dois-a-dois, começando a caminhar pela manhã bem cedinho… ao contrário de nós!



---Quanto à paisagem e afins, continuamos a desfrutar
das mesmas “vistas”: cruzeiros, igrejas, fontes de água, trilhos, campos de cultivo, mato, estrada isto tudo acompanhado de muito, muito calor.


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---Bem gostaríamos de ter tido mais tempo para visitar os monumentos ou apreciar com calma as paisagens.

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---Pelas 11h30, ao passar em Casalderigo – Valga, paramos (45 mimutos) para almoçar umas sandes (“bocadillos”) e umas cervejinhas: uma refeição feita na esplanada do café, num dia de sol espectacular.

---Depois voltamos ao percurso em bosque ou mato, num constante sobe e desce de pequenos trajectos.

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---Finalmente, chegamos a Caldas de Reis, onde atravessamos a ponte medieval sobre o rio Bermaña.
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---Na vila de Padrón, reza a lenda que Atanasio e Teodoro trouxeram o corpo do apóstolo Padrón, desde Jaffa na Palestina e amarraram a barca em que o transportaram, a uma coluna de pedra, que se diz ser a mesma que está hoje sob o altar da Igreja de Santiago de Padrón. Aqui, colocaram o corpo do Apóstolo sobre uma pedra que amoleceu e tomou a sua forma, convertendo-se num sepulcro, surgindo assim esta localidade, conhecida por nós pelos famosos pimentos.



---Assim, a única paragem foi junto de uma tabuleta a indicar a sua venda.


---O pelotão seguia a um ritmo forte, cheio de vitalidade, ansiosos pela chegada triunfal a Praça do Obradoiro, em frente à Catedral (faltavam 21,7km), onde já nos aguardavam o Zé e o Mendes.


---O dia estava a correr bem demais, sem qualquer incidente o que era de estranhar.


---Quando faltavam cerca de 4km para chegar a Santiago, depois de tantos “sprints” efectuados nas subidas pelo Vitokourov e pelo Zé, para ver quem ganhava o prémio da montanha, o iluminado do Vítor, depois de ter conquistado o título de rei da montanha, pediu a um espanhol que se encontrava a lavar os passeios de sua casa que o molhasse, para se refrescar. Aquele fez-lhe a vontade, deixando-o todo encharcado.



---Uns metros mais à frente, o caminho entrou num trilho de terra a descer e o acidente aconteceu: ao desviar-se de um buraco e o Vítor, como seguia sem luvas e molhado, uma das mãos escorregou.



---Foi projectado para a frente da “bike”, batendo com a cabeça no chão…

---Dali saiu para o hospital em ambulância do INEM espanhol apesar de, ao princípio, todos acharem que era mais uma brincadeira e depois da dificuldade em comunicarem o acidente (foi necessário procurar um habitante local para, via telemóvel, explicar ao médico o sucedido).

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---Os outros completaram esta magnífica viagem, com o senão de um final que ninguém desejava…






---Depois da aquisição dos diplomas do peregrino e dos banhinhos, não houve disposição para muito mais.







---E do hospital nem vale a pena fazer comentários:

quem já esteve numa urgência pública em Portugal, imagine um atendimento muito pior…e as coisas estiveram difíceis para o Vítor, até sair o diagnóstico (duas vértebras da coluna fracturadas C6 e C7), felizmente nada que uns meses de imobilização e repouso e tudo volta ao normal... ou quase...

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Podíamos qualificar esta viagem com muitas palavras, mas vamos deixar isso para os comentários individuais, no entanto não resistimos a uma:



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Inesquecível!




7 comentários:

litos disse...

Inesquecivel é o termo que cai que nem ginjas para qualificar esta aventura.
Foi com prazer que partilhei as muitas horas de pedal convosco, desfrutando da vossa companhia, birras, brincadeiras ....
Foi com todo o empenho que tentei organizar esta aventura, para que no fianl tudo corresse bem e nada faltasse.
Infelizmente nem tudo correu bem...mas agora são águas passadas, e que venha mais uma pró ano, que lá estarei.
Obrigado aos aventureiros pelo companheirismo, amizade e disponibilidade demonstrada dorante o percurso.
Uma nota de agradecimento aos "velhotes" do apoio, que nos deram uma ajuda preciosa, nomeadamente no final do primeiro, dia. Muito obrigado pela disponibilidade que tiveram connosco.
Um abraço
Litos compostela

Vitokourov (Vítor Silva) disse...

Antes de mais gostaria enaltecer o apoio que me foi dado no meu infortúnio, pelos meus amigos que participaram nesta magnifica jornada, por isso a todos o meu profundo OBRIGADO.
Relativamente ao passeio foi de facto extraordinário, inesquecível, memorável, excelente, especial, singular, único.!!!

Pois, além de ter sido uma viagem de três dias repleta de experiências, foi acima de tudo uma partilha de emoções, de experiências e de fortalecimento de laços de amizade.
Adorava puder repetir uma viagem deste género, ideias não me faltam e estou certo que cada vez melhor (se isso é possível!?) haja disponibilidade de todos.
Abraço
(boas pedaladas, mas só em 2008…)

Anónimo disse...

não se esqueçam que esse passeio só foi possível graças aos dois velhotes do apoio!.....

ANA disse...

Axei um passeio mto intrssant (a excepç d acident), gostaria de o fazer, mas ñ m tou a ver sozinha n meio d homens....kem sabe um dia destes...bons passeios

ECOBIKE disse...

Resposta:

- Para o próximo ano iremos repetir os caminhos de Santiago, provavelmente no princípio de Outubro, mas com algumas diferenças, dado que esta experiência serviu também para retirar ensinamentos para o futuro, apesar de ter corrido cinco estrelas.

- Este sucesso deveu-se em grande parte ao apoio dos nossos amigos António Mendes e José Lopes.

- Adoraria participar num passeio deste género com companhia feminina, mesmo que fosse o único homem presente, no entanto compreendo as tuas reticências, mas nada que não se ultrapassasse, pois, podias sempre convidar uma amiga e problema ficava resolvido ou minimizado.

Silva disse...

então Marco a tua mulher não te deixou sair de casa ou não tinhas pedalada para chegar a Espanha.
Vê-lá se para o ano organizas os caminhos de Santiago e avisa com antecedência o pessoal.
abraço mano, vê-mo-nos no passeio nocturno.

Marco Pereira disse...

Obrigado... a minha mulher é uma chata, mas também tinha medo dos outros adversários. até ao próximo passeio em fevereiro.