---O dia começou com alegria, já que as biclas estavam no local onde foram deixadas: em Espanha, os gatunos não gostam de bicicletas… Foi com satisfação que as encontramos, juntamente com alguns acessórios, como os conta-quilómetros, quando saímos pelas 08h30.
---Depois de um pequeno-almoço improvisado numa padaria, lá fomos procurar o caminho, que, por sinal, foi difícil de encontrar.
.---Ao passar pelo centro da cidade, deu para ver que possuía um dos conjuntos históricos e artísticos mais belos da Galiza, destacando-se o Santuário da Virgem Peregrina (séc. XVIII) situado na praça “A Peregrina”, concebida pelo arquitecto Arturo Souto e José Mier em 1778 (a sua planta tem a forma de uma vieira).
---Junto dos monumentos, eram visíveis grupos de turistas estrangeiros em visitas guiadas. Aqui, encontrar as conchas revelou-se uma tarefa difícil, mas lá
chegamos à Ponte de Burgo, sobre o Lérez, quando este se lança na Ria de Pontevedra, reencontrando o caminho.
---Depois de termos atravessado um percurso urbano, entramos numa zona de bosque e, pelas 10h25, paramos (20minutos) num mini-mercado propriedade de uma senhora simpática, onde alguns fizeram um reforço alimentar, isto porque outros tinham de gerir as barras energéticas, sais e afins, seguindo assim religiosamente o regime alimentar determinado pelo profissional Luís.
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---Bem gostaríamos de ter tido mais tempo para visitar os monumentos ou apreciar com calma as paisagens.
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---Pelas 11h30, ao passar em Casalderigo – Valga, paramos (45 mimutos) para almoçar umas sandes (“bocadillos”) e umas cervejinhas: uma refeição feita na esplanada do café, num dia de sol espectacular.
---Depois voltamos ao percurso em bosque ou mato, num constante sobe e desce de pequenos trajectos.
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---Finalmente, chegamos a Caldas de Reis, onde atravessamos a ponte medieval sobre o rio Bermaña.
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---Na vila de Padrón, reza a lenda que Atanasio e Teodoro trouxeram o corpo do apóstolo Padrón, desde Jaffa na Palestina e amarraram a barca em que o transportaram, a uma coluna de pedra, que se diz ser a mesma que está hoje sob o altar da Igreja de Santiago de Padrón. Aqui, colocaram o corpo do Apóstolo sobre uma pedra que amoleceu e tomou a sua forma, convertendo-se num sepulcro, surgindo assim esta localidade, conhecida por nós pelos famosos pimentos.
---Assim, a única paragem foi junto de uma tabuleta a indicar a sua venda.
---O pelotão seguia a um ritmo forte, cheio de vitalidade, ansiosos pela chegada triunfal a Praça do Obradoiro, em frente à Catedral (faltavam 21,7km), onde já nos aguardavam o Zé e o Mendes.
---O dia estava a correr bem demais, sem qualquer incidente o que era de estranhar.
---Quando faltavam cerca de 4km para chegar a Santiago, depois de tantos “sprints” efectuados nas subidas pelo Vitokourov e pelo Zé, para ver quem ganhava o prémio da montanha, o iluminado do Vítor, depois de ter conquistado o título de rei da montanha, pediu a um espanhol que se encontrava a lavar os passeios de sua casa que o molhasse, para se refrescar. Aquele fez-lhe a vontade, deixando-o todo encharcado.
---Uns metros mais à frente, o caminho entrou num trilho de terra a descer e o acidente aconteceu: ao desviar-se de um buraco e o Vítor, como seguia sem luvas e molhado, uma das mãos escorregou.
---Os outros completaram esta magnífica viagem, com o senão de um final que ninguém desejava…
---Depois da aquisição dos diplomas do peregrino e dos banhinhos, não houve disposição para muito mais.
---E do hospital nem vale a pena fazer comentários:
quem já esteve numa urgência pública em Portugal, imagine um atendimento muito pior…e as coisas estiveram difíceis para o Vítor, até sair o diagnóstico (duas vértebras da coluna fracturadas C6 e C7), felizmente nada que uns meses de imobilização e repouso e tudo volta ao normal... ou quase...
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---Podíamos qualificar esta viagem com muitas palavras, mas vamos deixar isso para os comentários individuais, no entanto não resistimos a uma:
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Inesquecível!













