14 setembro 2008

ROTA DAS ALDEIAS HISTORICAS


-----Quando estava preparado para ir pedalar o dia todo para o Parque Natural de Montesinho, em Bragança, os meus amigos roeram a corda, com o argumento que a viagem era longa, logo muito cansativa para quem ia andar de bicicleta, pelo que propuseram como alternativa a Serra de Lousã, no distrito de Coimbra.
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-----Apesar de fazer parte dos meus planos pedalar naquela serra, com 1205 mt de altitude no ponto mais elevado (que já conheço), a ideia não me agradou. Por isso no sábado à noite arranjei maneira de os convencer a irmos até à Serra da Estrela, para fazer uma travessia entre Linhares da Beira e Marialva, pelos caminhos da Rota das Aldeias Históricas.
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-----Como os meus argumentos eram extensos, graças aos meus antigos roteiros do Inatel, referentes às Aldeias Históricas, um guia muito completo, denominado "CARTA DO LAZER DAS ALDEIAS HISTÓRICAS" (onde dormir, comer, percursos de btt, a pé e de carro, etc), que há uns anos atrás foi-me bastante útil na descoberta desses magníficos locais. Desta vez ia-os utilizar para um passeio de bicla.
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BREVE INTRODUÇÃO:
As dez aldeias históricas descritas na "CARTA DO LAZER", são:
Almeida;
Castelo Mendo;
Castelo Novo;
Castelo Rodrigo;
Idanha-a-Velha;
Linhares;
Marialva;
Monsanto;
Piodão;
Sortelha;
-----Pertencentes aos concelhos: Almeida, Arganil, Castelo Branco, Celorico da Beira, Covilhã, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Idanha-a-Nova, Meda, Pampilhosa da Serra, Penamacor, Pinhel, Sabugal, Seia e Trancoso.

-----Estas aldeias inserem-se na Serra da Estrela, Serra da Malcata e Serra do Açor, regiões muito ricas em património histórico, cultural e natural.
-----A extensão total da rota é de 540km, com dificuldade física alta, devido aos grandes desníveis das regiões montanhosas por onde passa.

LINHARES - MARIALVA


Castelo de Linhares


Castelo de Marialva

-----Com saída de Gondomar pelas 07h40, no meu pobre carro, habituado a pouco peso, teve de carregar 3 biclas, 3 burros e o seu proprietário até Linhares.
-----Duas horas depois chegamos ao destino, que apenas eu conhecia, para rapidamente nos dirigirmos ao único café da localidade, para um pequeno almoço, onde se encontrava a aldeia em peso, a fazer horas para a missa das 10h00.
-----Com o material preparado e após as fotos da praxe, lá seguimos destino, com um início muito prometedor, por uma descida em calçada romana, muito interessante.
-----O passeio na sua extensão decorreu quase sempre por estradão em terra batida, sem grandes dificuldades técnicas e físicas, com algumas ligações entre os trilhos por estradas secundárias.
-----Quando pensávamos que o passeio estava a correr dentro da media mínima pretendida, uma vez que o Pedro não está habituado a grandes maratonas, para chegar a Trancoso, pela hora de almoço, tendo para isso que fazer um pequeno desvio do trilho das aldeias históricas, eis que pelos 40km, surgiu a primeira dificuldade do dia, uma subida com poucos quilómetros, mas que fez mossa no Pedro.














-----Desta forma só por volta das 16h00 e com 53km nas pernas é que chegamos a Trancoso, onde já se encontrava o nosso motorista.
-----Após um reforço alimentar e algumas fotos voltamos ao passeio trinta minutos depois e já sem o Pedro.
-----Os primeiros quilómetros foram feitos em estrada, que seguia paralelamente ao trilho da rota das aldeias históricas, mas do outro lado da montanha e que não nos foi possível transpor apesar das tentativas.
-----Desta forma, permitiu que ficasse a conhecer as ruínas de um castelo, quando pensava que já os conhecia todos no nosso belo país, situado na vila Moreira do Rei.











-----No Rabaçal, ainda deu tempo para conversar com um pastor e com outros moradores, que se encontravam junto de um fontanário da vila a por a conversa em dia.

-----A seguir surgiu uma situação insólita, que serviu para ver as nossas qualidades ciclistas, ao passar junto de uma quinta, dois cães de grande envergadura, próprio da raça Serra da Estrela, fizeram-nos uma perseguição de centenas de metros, que mesmo num terreno plano, estiveram quase a saborear a perna de porco de rui, foi por um triz e graças a um sprint olímpico.
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-----Pelas 18h10, chegamos a localidade de Marialva, com 88km nas pernas e 5h50 de viagem, onde já se encontravam o Pedro e o Zé Brasa a nossa espera.
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-----Para não variar o final teve direito a brinde com cerveja, na única esplanada junto do castelo, que lhe faltava um utensílio muito útil para os seus clientes, um mata moscas.
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-----Antes de regressarmos, fizemos uma visita ao interior das muralhas do castelo, uma vez que os meus amigos não conheciam.

-----E foi assim que terminou mais um excelente dia entre amigos, a pedalar e a conhecer melhor o nosso País.

Distâncias:

Marialva - Porto = 226 km

Linhares - Porto = 160 km
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Marialva - Lisboa = 396 km

Linhares - Lisboa = 330 km
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INFORMAÇÃO HISTÓRICA

Aldeia histórica com um dos mais imponentes castelos da Beira Alta, situado no topo de um rochoso sobranceiro à 613 m de altitude.

A sua posição estratégica garantia no séc. XVIII o controle do vasto planalto.

As suas origens são longínquas, foi fundada por Túrdulos e depois alvo de invasões pelos Bárbaros, Árabes, Cristãos e Godos, sendo posteriormente romanizada.

Despovoada pelas lutas para expulsão dos Mouros, Marialva foi entre 1157 e 1169, mandada repovoar por D. Afonso Henriques, que lhe concedeu foral e a elevou a categoria de Vila, foral esse confirmado pelo rei D. Afonso II, em Novembro de 1217.

A construção da fortaleza em redor do castro remonta aos séc IV e V.

O castelo foi restaurado por D. Sancho I e em 1295 ampliado e reedificado por D. Dinis.

A classificação como Monumento Nacional inclui não só a Torre de Menagem, porta e vestígios existentes.





10 setembro 2008

ROTA SANTO TIRSO CONVIDA

-----Pelo terceiro ano consecutivo ASPP/PSP vai organizar um passeio de cicloturismo, depois da "Rota D`Ouro", entre a cidade do Porto e Melres - Gondomar, segui-se a II edição na cidade de Matosinhos, com a "Rota Terra de Horizonte e Mar".
-----Assim, no dia 20.09.2008 (Sábado), pelas 10h00, terá início o passeio denominado "Rota Santo Tirso Convida", na Rua Clube Campeões Europeus de Viena – Porto (junto à Estação de Metro do Dragão), com destino à cidade de Santo Tirso.
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CONCENTRAÇÃO - 09h30
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PARTIDA - 10H00
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DURAÇÃO - cerca de 2h00
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DIFICULDADE FÍSICA E TÉCNICA - Baixa
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PREÇO - sócio 7,50€, não sócios 10€, acompanhantes 5€
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INSCRIÇÕES - até o dia 15.09.2008
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INCLUI - oferta de camisola de participação e outra alusiva ao evento, seguro, almoço, diversos brindes e sorteio de prémios.
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CONTACTOS - 96 207 61 37 - 96 178 62 71.
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Possibilidade de transporte desde Santo Tirso até ao local de partida (solicitar na inscrição)
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VIAGEM AO TUA

-----Nesta viagem fomos até ao Tua, região situada numa confluência de caminhos que conduzem ao coração do Douro Vinhateiro (Património da Humanidade -UNESCO – 2001), e seguem para a Terra Quente Transmontana.

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-----Apesar de conhecer bem estas terras, existia ainda um passeio que há muito andava para fazer, mas que até presente data não tinha sido possível, o passeio de comboio pela linha do Tua, numa extensão de 54km, entre a Foz do Tua e Mirandela, com a duração de 2h00.
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-----Infelizmente a via encontra-se temporariamente desactivada, devido aos 4 descarrilamentos que sucederam no último ano e meio e mais precisamente devido ao último acidente fatídico, que ocorreu no dia 22 de Agosto, próximo da localidade de Brunheda, em Carrazeda de Ansiães, do qual resultou a morte de uma senhora de 47 anos e 25 pessoas feridas.
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-----A linha do Tua foi inaugurada em 1887, num local magnifico, que proporciona uma das viagens mais fascinantes do caminho-de-ferro português, de via estreita, pelo que faço votos que não desapareça (como muitas outras linhas que foram desactivadas na década de 1990, fazendo desta linha o único troço ferroviário do nordeste transmontano) devido aos infelizes acidentes ou à construção da Barragem do Sabor, já adjudicada à EDP, que se for concretizada as cotas de água projectadas irão submergir parte da linha, deixando-a isolada da restante rede nacional ferroviária e tornando-a inviável.
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-----Pelas 07h00, eu, o Jorge, o Marito e o Pedro Silva, saímos de Vila Nova de Gaia, como destino ao Tua, terra agreste, granítica, seca e com grande desníveis do terreno (muitos montes), sendo por isso previsível algumas dificuldades, mesmo sem a passagem pela a linha do comboio, que fazia parte dos meus planos.
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-----As 10h30, dê-mos início ao passeio junto da estação de comboios do Tua, tendo o Jorge efectuado uma ligeira experiência pela linha do comboio com a sua Orbea, de suspensão total, para chegarem a conclusão que não era opção. Lá começamos a pedalar, mas uns metros à frente fizemos uma paragem para comer figos.
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-----O aquecimento foi feito em asfalto, sempre a subir, durante cerca de 12km, até à freguesia de Parambos.
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-----Pelo meio passamos na freguesia de Fiolhal, onde encontramos um casal, que seguia num tractor carregado de garrafões de vinho, tendo o Marito aproveitado para os questionar sobre o trajecto em que seguimos e acabou a pedir uma pinga, que foi prontamente oferecida pelo Sr. Luís e acabamos deste modo na adega a provar moscatel e a confraternizar.
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------O caminho continuou a subir por uma calçada, tipo romana, com muita pedra e com vista deslumbrante para o Tua, que acabou num monte de vinhas. Neste local fizemos uma breve paragem, para descansar e saborear as uvas.




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-----Este trilho continuou até a localidade de Tralhariz, tendo depois seguido por asfalto até a próxima localidade, Castanheiro.
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------Assim, que vi uma alternativa ao asfalto, nem pensei duas vezes e seguimos por um estradão em terra até Parambos, aldeia mais verde de Portugal....
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-----Fizemos uma pequena paragem para matar a sede no tasco de uma ex-namorada do Pedro Silva, que com a vergonha,nem quis entrar.
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-----Daqui em diante surgiram os problemas de quem vai a descoberta, ou seja entramos em trilhos que não levavam a lado nenhum e lá tivemos de voltar para trás, mas com campos de árvores de fruto, que deu para enganar o estômago (maça). Foi algures por aqui que voltei a ter um visão desagradável de um cobra a fugir a minha frente (já começa a ser inevitável).
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-----Mais uma oportunidade para o Pedro, continuar a resmungar, ou porque era sempre a subir, porque era asfalto, porque tinha muita pedra, porque não sei trabalhar com o gps, etc, etc, etc.
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-----Assim, após quatro tentativas para descobrir o caminho e ter-mos avançado a vedação de um campo, lá encontramos caminho para a próxima localidade denominada de Misquel. Aqui voltamos a conversar com os moradores, que nos indicaram um trilho que seguia até Carrazeda de Ansiães, mas como o pessoal estava com fome optamos por seguir pela estrada nacional.
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-----Cerca das 14h00, depois de questionar 3 a 4 moradores, acerca de uma tasca para comer um petisco, acabamos por seguir a indicação de um bombeiro e fomos parar a um restaurante que apenas servia frango assado. Os meus companheiros famintos já não saíram daquele local, pelo que decidi abandona-los, para não comer de faca e garfo e fui a procura de um tasco na praça central, onde comi uma alheira, uma fevra, um prego no pão, acompanhado de 2 colas e um café, pela singela quantia de 4,50€.
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-----Voltei ao convívio com "cromos", que ainda não tinham acabado de comer, nem compreenderam a minha atitude....
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-----De novo a pedalar, seguimos em direcção à localidade de Samorinha, onde entramos num estradão, que uns metros mais à frente estava bloqueado com árvores caídas e vegetação alta, que impedia seguir viagem por aquele trilho. A solução foi improvisar por meio dos campos até voltar novamente ao trilho. Maia uma oportunidade para o Pedro reclamar a intensa vegetação no trilho...Uma descida irregular e com vegetação é necessário cuidado e/ou alguma experiência na escolha do local para passar com as rodas...cuidado que o Jorge, voltou a não ter e deu mais um malho, com aparato, que deixou o Marito que vinha atrás, muito preocupado.
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-----A queda deu-se por ter batido com a roda da frente numa pedra escondida na vegetação, tendo de imediato arrebentado o pneu, originando assim a projecção do manco do seu condutor, que caiu de queixos.
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-----Repostos do susto inicial, reparamos a avaria da bike (colocar uma câmara e tapar o furo) e seguimos até a localidade do Pinhal Novo, com uma passagem por em mato, em estradão e a descer para variar. Neste local, aproveitamos para repor líquidos e o Marito acabou por fazer de enfermeiro do Gigantones e fez-lhe o curativo com muita ternura.
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-----Fazia dos meus planos iniciais ir até a estação de comboios da Brunheda e regressar ao local de partida, mas por esta altura já dava para ver que não íamos ter tempo.
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-----Finalmente, vimos o rio Tua no fundo do vale, por isso foi sempre a descer até linha do comboio, mesmo sabendo que o caminho não era por ali. E finalmente uma descida repleta de emoções, que terminou com uma queda do Pedro Silva e um mortal para a frente, sem consequências físicas.

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-----Eles bem pensavam que pensavam que se tinham visto livres da minha ideia de andar na linha do comboio, mas depois de aqui chegados não havia outra solução a não ser subir novamente o monte todo. E lá começaram as reclamações....NÃO É EXEQUÍVEL.
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-----A faltar cerca de 18km para chegar ao Tua foi hora de apreciar uma das empresas mais arriscadas e arrojadas das engenharia portuguesa da época e a paisagem que nos rodeava, inóspita e agreste e as gargantas escavadas pelo rio, para desembocar no leito principal e prosseguir a caminhada até ao mar.
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-----Foi-me deliciando com a paisagem, tendo absorver o máximo de pormenores, sem esquecer as fotos, para mais tarde recordar, mas sempre em cima da bicla, alternando entre os carris e as bermas, consoante a quantidade de pedras. Em relação aos meus companheiros de viagem, apenas o Pedro, não fez um pequeno esforço para seguir em viagem em cima da maquina e foi o caminho todo aborrecido.
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-----Dois quilómetros depois chegamos a estação de São Lourenço, que apesar de aparentar ter sofrido obras de recuperação encontra-se fechada. Por esta altura nenhum de nos tinha líquidos nos bidões e a sede há muito que apertava, por isso bem desejava que na estação tivesse uma torneira com água, mas isso seria uma utopia?!...
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-----Por esta altura já dava para ver que a este ritmo na melhor das hipóteses só íamos chegar a estação do Tua cerca das 21h00. Apesar deste cenário negro, dado que apenas eu levava luzes e a linha tem alguns perigos, para quem segue a pé ou de bicicleta. Apesar disso e já que não havia água para beber, ao menos para refrescar, por isso nada melhor que um banhinho, mesmo ao lado do local onde já existiu uma ponte, mas por pouco tempo, porque a primeira enxurrada deixou-lhe apenas os vestígios e agora existe uma espécie de teleférico, mas que me pareceu com pouca utilização. Enquanto isto o Jorge voltava a trocar de câmara.
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-----Volvidos alguns minutos regressamos novamente a mais uns quilómetros de coça nas pedras. Felizmente a linha encontra-se em obras de recuperação e em consequência disso na berma de dentro da linha colocaram cimento para tapar uns cabos, que ali foram enterrados, que rapidamente aproveitamos para pedalar sem pedras, durante quase mil metros, até que nos apercebemos que o cimento estava fresco, ficando as marcas das rodas das bikes no mesmo.
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-----Uns metros mais a frente e a faltar 10km para o fim da linha, encontramos os trabalhadores, que se preparavam para terminar o dia de serviço (19h10) e os meus colegas que já vinham de fartinhos daquele esforço não hesitaram e foram-lhes pedir boleia, mesmo que para isso tivessem de mentir ao responsável, que ao ver-nos perguntou logo se tínhamos andado em cima do cimento.
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-----É claro que tiveram de mentir para não ficarem sem boleia (uma mentira inocente, porque apesar das marcas no cimento não estragamos nada).
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-----Deste modo, o passeio que ia terminar em sacrifício acabou por ter sido feito de forma agradável na locomotora dos trabalhadores. Podemos desfrutar da paisagem de forma tranquila e numa posição privilegiada para o rio.
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-----Há tantos anos que pretendia fazer a viagem de comboio do Tua a Mirandela e sem querer acabei por fazer 10km numa automotora diferente e de forma inesperada e única.
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-----Chegamos ao Tua pelas 19h40.
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-----Segui-se um "banho" no pátio do restaurante "Calça Curta", onde eu e o Marito já tínhamos estado há cerca de 7 anos atrás juntamente com outros colegas de trabalho, numa viagem de comboio muito animada.
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-----O nosso jantar foi bem regadinho de cervejas, para matar a sede que passamos nos quilómetros finais.
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-----Pelas 00h30 regressamos a casa, de mais um dia inteiro preenchido na companhia de amigos, num local único, que tornam esta viagem num momento capaz de ficar gravado bem fundo na memória.
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-----Faço votos que o inquérito sobre os descarrilamentos seja breve, com rigor e público, de modo a evitar situações semelhantes no futuro e que a linha reabra, porque em 120 anos de existência só agora é que apareceram os acidentes, numa via que me parece segura, desde que vigiada (manutenção) com regularidade e com algumas obras na encosta para evitar a queda de pedras, especialmente à passagem das composições.
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-----Pois, além de ser um excelente polo de atracção turistica, porque são aos milhares os que ali se deslocam com o propósito de visitar o vale e viajar no comboio e estou certo que seriam muitos mais se a linha do Douro chegasse à Espanha e ainda muitos outros passageiros, moradores da região, que não dispõem de outro meio de transporte para além do comboio para as suas deslocações diárias.
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O Rio Tua "nasce" 2 Km acima da cidade de Mirandela, na junção dos rios Rabaçal e Tuela.
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Dali segue até à Foz do Tua, no rio Douro, numa extensão aproximada de 57 Km.
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30 agosto 2008

MEALHADA



-----Há muito tempo que o Gigantones falava em pedalar na Mealhada, para no final comer leitão, um dos seus pratos preferidos, mas foi sempre surgindo algo a impedir a concretização do passeio.

-----Hoje, finalmente lá foi possível, mas sem a companhia do Marito, que teve de ficar em casa a limpar o pó dos móveis, aaaahhh.

-----O passeio começou por volta das 10h00, junto do posto da GNR e rapidamente saímos do alcatrão para os trilhos de terra, em direcção à freguesia de Travassos,

-----Fomos percorrendo estradões, sem grande dificuldade técnica, quase sempre em mato e a subir até chegarmos ao Miradouro da Cruz Alta, em pleno coração da Mata do Buçaco*, com uma panorâmica excelente sobre as várias localidades em redor, podendo inclusive ver-se ao longe o mar.

-----Neste ponto decidimos seguir em direcção ao Buçaco, uma vez que era sempre a descer e por um carreiro espectacular, excelente para fazer uma corrida cronometrada, mas com algumas escadas pelo caminho, que o tornam indicado para downwill, técnica que o gigantones não domina, mas acredita que aos 50 anos pode entrar na competição no sector de veteranos e lá vai tentando...resultado foi mais uma pequena queda, sem grandes consequências físicas.

-----Seguiram-se as fotos da praxe junto do Hotel do Buçaco*, antes de seguirmos viagem, novamente a descer pelos Jardins do Buçaco, Fonte Fria, parque de merendas e Vale dos Fetos.
-----Com a fome apertar o Jorge decidiu que devíamos ir almoçar à Mealhada, tendo seguido pela estrada nacional.

-----Depois de uma procura pelos restaurantes que ele já conhecia, mas que se encontravam cheios de clientes, acabamos por entrar no primeiro que nos apareceu com mesa e que nos guardou as biclas. Enfim, com apenas 55km de pedaldas, lá nos sentamos à mesa, com os clientes a olhar de lado para os dois cromos equipados de ciclistas e com camisolas iguais.

-----Após um almoço farto e bem regado, com uma garrafa para cada um, decidimos dar uma pequena volta de bike a um ritmo baixo, para fazer digestão, antes de regressarmos ao Porto.

-----Para terminar o Jorge, lá conseguiu sacar os banhos no posto da GNR, tendo a cicerone sido um soldado feminino, muito simpática e com uma presença de fazer parar o trânsito...


* MATA NACIONAL DO BUÇACO - Monumento nacional desde 1943, alberga cerca de 700 espécies de árvores centenárias, desde sequóias da América do Norte, passando por chorões japoneses, até árvores do Brasil, Mexico e Himalaias.
Foram trazidas pelos frades carmelitas quando construíram o Mosteiro de Santa Cruz (sec. XVII).
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* HOTEL DO BUÇACO - Situado no coração da Mata Nacional do Buçaco é um dos melhores hotéis de Portugal. Guarda no seu interior obras de arte, como os painéis de azulejo evocando Os Lusíadas, os Autos de Gil Vicente e a Guerra Peninsular.
Foi por volta de 1630 que os carmelitas ali encontraram refugio e construíram um mosteiro que se manteve até a expulsão das ordens religiosas do país, no referido seculo.
Em 1917, foi transformado em hotel de luxo. A suite real tem mobília de Luís XVI, comprada de propósito por Alexandre de Almeida aquando da estadia da Rainha D. Amélia.
Restaurante do hotel insere-se na linha da cozinha Francesa, com pratos mais característicos faisão do buçaco à feudal, a sela de vitela, bacalhau à Palace, arroz de pato à antiga, javali com molho de leitão, etc.

27 agosto 2008

ALENTEJO

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PARQUE NATURAL DO SUDOESTE ALENTEJANO E COSTA VICENTINA
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-----Tempo de férias é sinonimo de viagens, divertimento, descanso, praia, etc, etc, no entanto, para mim e até presente data nunca significou passear de bicicleta, mas num ano virado para o pedal, acabei por ir de férias e leva-lá comigo. Pois, achei que seria engraçado continuar o passeio junto à costa (ou quase), depois do sucesso que foi Valença - Porto.
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Deste modo, pretendia dar pequenos passeios, sem grandes esforços, porque em primeiro lugar estava a praia, os banhos de sol e de mar e esplanadas, dai que não tenha feito qualquer planeamento ou pesquisa dos locais por onde devia passar.
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1ª etapa
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Zambujeira do Mar - Cabo do Sardão
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-----Uma vez que estávamos hospedados na Vila da Zambujeira do Mar, optamos por fazer um trajecto ligeiro, de modo a não exigir muito dos músculos. Assim, fomos da vila até ao Cabo do Sardão e regresso, num total aproximado de 30km, sempre ao longo da falésia.
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-----O Cabo do Sardão (1915) representa o melhor de uma das facetas da Costa Vicentina: costa rochosa cortada a pique sobre o mar, com as ondas a rebentarem lá em baixo em espuma e as gaivotas a voar à procura de peixe. (não registei os dados do passeio, especialmente km`s e tempos).
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-----Neste percurso vimos pequenas praias protegidas por escarpas e arribas, de difícil acesso, mas dignas de serem descobertas.
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2ª etapa

Zambujeira do Mar - Arrifana

-----Por volta das 08h00, novamente na companhia do Pedro, que não se encontrava preparado para grandes passeios de bike, lá seguimos o nosso destino.

Praia da Zambujeira

Praia do Carvalhal

Praia de Odeceixe


Praia Vale dos Homens

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-----Com a chegada à Vila de Aljezur, o meu companheiro de viagem achou que estava na hora de ir a banhos de sol e terminou o passeio, pelo que continuei sozinho por mais alguns quilómetros.
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-----Segui-se um pequeno desvio para subir ao topo da vila, onde se encontra o castelo medieval, de construção anterior ao século X (o último a ser conquistado aos mouros no Algarve, sec. XIII). Ali ppermaneci apenas o tempo suficiente para tirar fotos, seguindo de imediato viagem descendo pelo casario em torno do antigo castelo dos mouros.
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-----Chegado à estrada nacional, logo surgiu uma subida acentuada, em direcção à praia de Monte Clérigo.

Praia de Monte Clérigo

-----Daqui até a praia da Arrifana o percurso foi terrível em termos de exigência física, tendo andado cerca de 2km a empurrar a bike pela areia, que me pareceram intermináveis (unicamente para não voltar para trás até a EN).


Praia da Arrifana

-----Perante isto, decidi terminar o passeio, com cerca de 75km e seis horas de pedaladas e juntar-me aos meus amigos na praia, continuando a travessia no dia seguinte.

3ª etapa

Praia da Arrifana - Cabo de S. Vicente

-----Hoje, o meu companheiro de viagem foi o Nuno, uma vez que o Pedro ficou de rastos do dia anterior.

-----O passeio não podia ter começado de forma pior, pois deixei ficar a maquina fotográfica no hotel e assim sendo a única solução foi recorrer ao velhinho telemóvel.

-----Mal saímos da Arrifana entramos num estradão que rapidamente nos levou até a praia seguinte.

Praia de Vale Figueiras

-----Para sair dali foi necessário suar, para conseguir subir aquele estradão e ainda não tinha sequer aquecido os músculos.

-----Este estradão passava pelo meio de um pinhal, sem qualquer dificuldade técnica ou física até chegar a EN, que nos levou até as localidades da Bordeira e Carrapateira.

-----Neste último local voltamos a um estradão junto a costa, com passagem por um marco geodésico, denominado do Pontal, com uma vista magnifica da costa, das falésias, para norte até a praia de Vale Figueiras e à ponta da Arrifana, que nos deu uma perspectiva do percurso que já tínhamos feito. Para sul ainda não se conseguia ver o cabo de São Vicente, pelo que ainda tínhamos uns quilómetros pela frente.

Praia da Carrapateira

Praia do Amado

-----Nesta praia o estacionamento estava caótico, com muitos carros espanhóis e carrinhas de hippies e o mar estava repleto de surfistas.

-----Logo após a praia do Amado, entramos novamente na serra, sem qualquer noção do caminho que devíamos seguir, pelo que optamos pelos que subiam menos.

-----Passados alguns quilómetros chegamos à estrada nacional, que seguimos até Sagres e dali até ao Cabo de S. Vicente.

-----Para terminar o passeio da melhor forma nada como um banhinho, desta vez na praia de Beliche - Sagres, seguido de almoço na praia Mortinhal.

BOAS FÉRIAS

Praia da Zambujeira do Mar - No coração da área protegida da Costa Vicentina e do Sudoeste Alentejano. Esta pequena aldeia costeira tem resistido sem grandes atentados urbanísticos da pressão turística, mesmo que tenha perdido algo da sua personalidade nos últimos anos.

Não perca o miradouro sobre a praia, as esplanadas de ambiente familiar, onde se pode saborear um bom peixe grelhado (sargo, pargo, dourada, robalo) enquanto se olha o mar lá em baixo.

Inserida no concelho de Odemira, o maior do país, conhecida pela «Vila das Flores»,cruzado pelas águas do Mira, um dos rios menos poluídos da Europa.

Uma região peculiar, já que se pode encontrar a planície, a montanha e a serra, o rio, a barragem, o mar e praias.

O que comer: Feijoada de búzios, as caldeiradas, sopas de peixe, migas, açorda, arroz de tamboril e os percebes, ocupam lugar de destaque.

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Praia de Odeceixe - Neste praia consegue-se apanhar sol no Alentejo e tomar banho no Algarve, pois a ribeira de Odeceixe, que ali desagua e atravessa a praia, marca a fronteira entre as duas províncias.

A água é fria, muito batida, excelente para a pratica de surf.

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Praia da Arrifana - O único acesso é feito por uma calçada íngreme, com a compensação da vista da praia e da Pedra da Agulha, uma rocha vertical no meio do mar no lado sul.

Conta a lenda que: em 1240, os cavaleiros da Ordem de Santiago comandados por D .Paio Peres Correia, tentavam sem sucesso conquistar o castelo de Aljezur, defendido pelos mouros. Através de uma jovem, que se tinha apaixonado por um soldado cristão, ficaram a saber que os mouros tinham por hábito tomar banho ritual de mar na Arrifana. Assim, os de Santiago atacaram de surpresa e chacinaram os inimigos, conquistando o castelo.

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Praia da Bordeira ou Carrapateira - Carrapateira por causa da povoação mais próxima, outros preferem designá-la de Bordeira por causa da ribeira que desagua no topo sul do areal.

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Sagres - Jaime Cortesão referiu-se a esta localidade «aspecto de conjunto com tão erma e trágica beleza, nem seria fácil encontrar refúgio e cenário mais propício para um pensamento obstinado de Herói ou de Profeta».

A Fortaleza de Sagres, também designada por Castelo de Sagres ou Forte de Sagres, situa-se numa posição estratégica, pois além de proteger a costa, nomeadamente as duas enseadas, que constituíam excelentes pontos de desembarque, servia como um ponto de observação e controlo da navegação costeira entre o Mediterrâneo e o Atlântico.